Olá pessoal,
Como disse para vocês no início, entre começar com agilidade e o primeiro post neste blog passou-se algum tempo… Nesse tempo, passei por algumas experiências interessantes e aos poucos vou compartilhar delas com todos.
Um assunto sobre o qual eu não poderia deixar de falar é este: HUMILDADE e CONFIANÇA quando se trata da adoção de um processo ágil. Parece meio “romântismo” isso, não é? Eu explico porque:
Imagine uma equipe vivendo seu dia-a-dia baseada em processos tradicionais de desenvolvimento de software, onde temos cada um preocupado somente com a “sua parte” no trabalho. É muito fácil imaginar isso, uma vez que este ainda (infelizmente), é o modelo que domina o mercado:
Nesse modelo, consigo identificar por experiência própria que temos dois perfis que tendem a reprovar totalmente um modelo Ágil de desenvolvimento. Alguém tem um palpite?
heim?
Pois é… Gerente de Projeto e Analista de Sistema.
Esses são os perfis que naturalmente possuem maior resistência ao modelo Ágil de desenvolvimento. Sobre o Gerente de Projeto eu não vou nem comentar porque todo mundo já está cansado de saber o porque da resistência: O cara perde o poder de mandar em todo mundo, simples assim.
Agora, eu gostaria de falar sobre o outro perfil: O “analista de sistemas”:
Esse cara - ”O Analista” – está acostumado a ser o responsável funcional por alguma parte do sistema, ou até mesmo todo o sistema. Ele é a pessoa que possui interface direta com o cliente, então só ele pode ter acesso ao cliente. Por isso, ele cria um relacionamento de proximidade com o cliente e naturalmente acaba tratando a equipe de codificação como simples ” braços”, porque toda a inteligência está na sua cabeça e nos seus modelos escritos na ferramenta Case.
Eu costumo chamar esse tipo de profissional de “Analista Moisés” (Perdoem a citação bíblica).
“Para que não conhece a história, Moisés era no antigo testamente um cara que falava com Deus pelo povo. Somente ele podia subir até o topo da montanha e falar com Deus, depois transmitir a mensagem de Deus ao povo.”
Pois é… não há nada de errado com o Moisés lá da bíblia… mas na verdade se olharmos para esse analista, vemos que ele pensa ser um tipo de Moisés. Só ele pode falar com “deus”, ou seja, o cliente… até porque na cabeça dele, desenvolvedor não tem capacidade para tratar de negócios, não é mesmo???
É daí que surge a grande resistência do modelo ágil… TODO o time se torna responsável pelo que antes era de domínio de um perfil apenas. As classes que antes eram pensadas e modeladas na ferramenta case agora são de domínio de todos…
Em um cenário como este é preciso que esse profissional tenha uma boa dose de humildade e confiança em seu próprio trabalho. Não é porque não existe mais a exclusividade no acesso ao cliente ou na modelagem do sistema que o analista ou até mesmo o gerente perderão seus lugares no time…o mais importante é passar a focar as energias em algo que realmente traga valor, ao cliente e a equipe.
Eu não gostaria que você entendesse isso como uma crítica a todos os analistas, até porque qualquer um na equipe pode ser um ponto de resistência ao processo. Mas realmente essa é a experiência que vivi aqui na implantação do Scrum em nosso time e continuo vendo pelo mercado, onde vou falar sobre processos ágeis.
A maior resistência está nestes dois perfis. Isso acaba sendo uma grande armadilha para toda uma equipe Agil, principalmente porque em geral, os gerentes e analistas estão mais próximos ao cliente e se a resistência passar da equipe e chegar no P.O, a chance de tudo ir por água abaixo é muito grande.
Na minha opinião, a agilidade é um processo que naturalmente vai tomar conta de uma grande fatia do mercado de desenvolvimento de software, pense se você está preparado para ela…
No final das contas, a empresa sempre dará crédito ao profissional que joga no time e tem a humildade e confiança para se transformar e melhorar a cada dia.
Abs